Jueves, 03 Mayo 2018

Canudos: memoria de un sueño que el azud no ahogó

Canudos: memoria de un sueño que el azud no ahogó

A la periodista Sylvia Leite de Sergipe, Brasil, la conocimos en el marco del Congreso Internacional de ARAJET-CIPETUR en Punta del Este. En su Blog "Lugares de memoria", nos cuenta una rica historia de revueltas y sueños de un lugar y su gente: Canudos. Como ella misma define en la pregunta: ¿Quem nunca teve a experiência de visitar uma cidade, aldeia, ou um simples edifício que parece ir além de sua existência material?

por Sylvia Leite

Canudos: memória de um sonho que o açude não afogou

O povoado de Belo Monte, ou Arraial de Canudos, foi destruído há mais de um século e suas terras estão debaixo d'água há quase 60 anos, mas a violência da guerra e o sonho de liberdade de Antônio Conselheiro ficaram impregnados na paisagem da região.

No local onde ocorreram os combates, um museu a céu aberto expõe os contrastes que definiram o começo, o meio e o fim da curta história do povoado.

A transparência dos painéis nos faz suplantar a objetividade das cenas e enxergar, através delas, a aridez do terreno e a crueza dos fatos.

Sobre o chão de terra vermelha, ainda é possível encontrar, tanto tempo depois, um ou outro vestígio das balas usadas no massacre.

Antônio Conselheiro

A história Canudos se confunde com a de seu líder e ambas estão envoltas em muitas histórias, verdadeiras ou nem tanto. O cearense Antônio Vicente Mendes Maciel, conhecido como Antônio Conselheiro, virou lenda no Nordeste e circulava sobre ele todo tipo de boato.

Era tido por muitos como fanático, messiânico e subversivo por  acreditar que a República profanava a Igreja Católica e era a materialização do reino do Anti-Cristo na terra. Chegou a ser preso e torturado, acusado injustamente de matar a ex-mulher, mas conseguiu provar sua inocência.

Já para os sertanejos que enfrentavam seca, fome, trabalho extenuante e cobrança de impostos pela força, ele representava a salvação - a única esperança de uma vida menos injusta.

Conselheiro era filho de um pequeno proprietário de terras e foi criado em convívio com a Igreja Católica, por isso conseguiu ser alfabetizado e falava Latim. Trabalhou como professor, comerciante e escrivão, mas sua incursão pelo Brasil oficial termina aí. Ainda jovem saiu em peregrinação, assumindo um comportamento que desafiava simultaneamente a Igreja Católica e o Governo Republicano.

Na vida religiosa, ignorou a hierarquia e as formalidades, passando a agir por conta própria. Enquanto os sacerdotes da época rezavam missa em Latim e de costas para os fiéis, Conselheiro se misturava ao povo, pregando em Português, usando linguagem popular e se fazendo entender por todos. Seus seguidores eram lavradores, ex-escravos, ex-prostitutas e povos indígenas.  
Antes de fundar a cidadela de Belo Monte, ele peregrinou quase vinte anos pelo sertão nordestino, construindo igrejas, cavando açudes e oferecendo àquela gente sofrida a possibilidade de viver livre em algum pedaço de terra.

Belo Monte

Ao chegar à região de Canudos, em 1893, se estabeleceu com seu povo à margem do Vaza-Barris e formou uma comunidade que chegou a reunir 5 mil e 200 casebres e aproximadamente 25 mil moradores e o sonho tornou-se realidade pelo curto período de três anos.

A mobilização de Conselheiro ameaçou os dogmas e esvaziou as fazendas, provocando a fúria dos dois setores, que junto à imprensa passaram a exigir do governo uma tomada de posição. Para alcançar esse objetivo, teriam difundido a informação, nunca confirmada, de que os moradores de Canudos estariam se preparando para atacar cidades vizinhas e o próprio governo federal, com o fim de re-estabelecer a monarquia.

 Uma desavença entre Conselheiro e um comerciante da região teria precipitado o primeiro ataque do governo, que esperava vencer facilmente. Estava enganado. Seriam necessárias quatro expedições militares, ao longo de um ano, para que o Arraial de Canudos fosse finalmente exterminado e seus moradores friamente massacrados.

Depois da destruição, em 1897, a vila foi lentamente reconstruída. Na década de 1960, o Governo Federal mandou represar o Vaza-Barris e Canudos submergiu sob o Açude de Cocorobó. A poucos quilômetros dali foi erguida outra cidade, que não guarda qualquer semelhança com a Canudos original, mas abriga o Memorial Antônio Conselheiro, que possui informações complementares às do museu a céu aberto, batizado como Parque Estadual de Canudos.

Canudos não se rendeu. Exemplo único em toda a história, resistiu até ao esgotamento completo. Expugnado palmo a palmo, na precisão integral do tempo, caiu no dia 5, ao entardecer, quando caíam seus últimos defensores, que todos morreram. Eram quatro apenas: um velho, dois homens feitos e uma criança, na frente dos quais rugiam raivosamente 5 mil soldados. (Euclides da Cunha)

Canudos - Euclides da Cunha - Raso da Catarina - Bahia - Brasil

Parque estadual de Canudos 

Memorial Antônio Conselheiro

A Guerra de Canudos inspirou livros e filmes entre os quais:
Os Sertões, de Euclides da Cunha - clique aqui para baixar o livro
A Guerra do Fim do Mundo, de Mário Vargas Llosa

 publicado en: www.lugaresdememoria.com.br

L/D

www.cipetur.com

 

 

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